domingo, novembro 26, 2006

Violent Femmes em concerto


Bom, na quarta-feira passada lá consegui arrastar alguém para ir ver o concerto dos Violent Femmes comigo.

E bem que valeu a pena!!! Mesmo para os outros que foram arrastados... obrigada pela companhia!

Eu nunca os tinha visto ao vivo. E não sou muito de ir ver concertos de bandas que já tocam há quase tantos anos como aqueles que eu tenho de vida... a não ser que sejam os Xutos! ;)

Tenho sempre a ideia que vou ver os gajos velhos e acabados e que vai acabar por ser uma desilusão, porque o concerto não vai ser bem aquilo que eu estava à espera.

Mas tenho que admitir que este concerto foi uma surpresa!

Os gajos estão ainda em grande forma! Muito boa disposição e muita alegria em palco, e no público também... e muito, muito boa música...

Valeu mesmo a pena!

Eu costumo actualizar a música do site todas as semanas, mas desta vez, não a vou actualizar.Fica mais uma semana em homenagem ao grande concerto de quarta.

E cá fica a prova de que eu lá estive:




Enjoy the music!!!




domingo, novembro 12, 2006

Fácil de Entender


Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Talvez por não saber o que será melhor, aproximei.
"O meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós".
Sei lá eu o que queres dizer...
Despedir-me de ti, adeus um dia voltarei a ser feliz...
Talvez por não saber falar de cor, aproximei...
Triste é o virar de costas, o último adeus
Sabe Deus o que quero dizer.
Obrigado por saberes cuidar de mim, tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou...
E se ao menos tudo fosse igual a ti.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, já não sei se sei o que é sentir.
Se por falar falei, pensei que se falasse era fácil de entender...
É o amor que chega ao fim, um final assim assim é mais fácil de entender...


Nuno Gonçalves (The Gift)

domingo, novembro 05, 2006

Hoje estou sem ideias


... o que por um lado é bom, porque pelo menos não chateio ninguém com as minhas ideias malucas e meio depressivas...
Por outro lado, nem por isso, porque realmente não tenho qualquer tipo de assunto para falar hoje...


Ora bem, vamos falar de... vamos falar de... humm... qualquer coisa mais alegre do que as outras vezes... qualquer coisa mais positiva...

Vamos falar de autoconfiança! Que é uma coisa que falta a muita gente... (e lá vem o espírito negativo outra vez...)


Toda a gente precisa de autoconfiança.
Não quero com isto dizer que as pessoas devam ser convencidas ou andar por ai a pensar que são superiores às outras.
Para mim, autoconfiança é a capacidade que uma pessoa tem de acreditar nela própria e acreditar que é capaz de conseguir aquilo que quer.


Eu sou uma pessoa com autoconfiança. Ou pelo menos tento ser...

Eu acredito em mim própria (alguém tem que acreditar...).
Eu acredito que sou capaz de acançar os meus objectivos (o truque aqui é definir objectivos sempre alcançáveis... ;) ).
E eu acredito que só dependo de mim própria para isso.

O facto de acreditar que o meu "destino" só depende de mim própria e que eu consigo fazer dele o que quiser, faz com que eu tenha força para lutar por aquilo que quero e para tentar ir sempre mais longe e nunca me contentar com pouco.

O meu futuro depende de im própria.
E mesmo quando as coisas correm mal, é só pensar que tenho o "poder" de as mudar e fazer por isso...
Não quer dizer que deixem de correr mal, mas pelo menos não me deixo ir abaixo com isso porque só depende de mim mudar o que está a correr mal e se eu me deixar ir abaixo, não vou conseguir mudar nada, certo?

Por esta altura, já deve estar por aí uma data de gente a pensar: "Bem... esta gaja é um bocadinho para o convencida...", mas olhem que não!

O facto de eu acreditar em mim própria não significa que me ache melhor do que os outros.
No entanto, um bocadinho de egoísmo, desde que dentro de certos limites, não faz mal a ninguém. Antes pelo contrário.

Aquele tipo de pessoa, sempre muito simpática, sempre muito prestável, sempre a pensar nos outros, só acaba por se dar mal...
As outras pessoas acabam sempre por abusar e por se aproveitar de pessoas deste género.

Há que pensar em nós próprios, primeiro que tudo. E há que ser um bocadinho egoísta para o conseguirmos fazer.
Há que acreditar em nós e há que lutar por aquilo que nós queremos.
Há que sermos os primeiros na nossa lista de prioridades.
Há que pensarmos sempre que podemos ser melhores e pôr sempre a fasquia cada vez mais alta.


Se eu não acreditar em mim, quem vai acreditar?

domingo, outubro 29, 2006

Estranho


Todas as pessoas são diferentes umas das outras.
Cada uma tem a sua maneira de ser e de agir.

No entanto, quando olho para as outras pessoas tenho sempre tendência a achar que elas são como eu.
Que pensam como eu, que têm as mesmas reacções que eu.

E isso faz com que eu tenha determinadas expectativas em relação a elas, que na maioria dos casos nunca são atingidas...
Isto porque eu exigo muito de mim própria e, no fundo, acabo por também exigir muito dos outros.

Ponho sempre as pessoas num patamar muito elevado e são raras aquelas que realmente conseguem corresponder ao nível em que eu as ponho.

Ou seja, as outras pessoas tendem a ser uma constante desilusão para mim... não por culpa delas... cada um é como é...
A culpa acaba por ser minha, porque espero demasiado delas.

E a parte estúpida de tudo isto, é que eu já devia saber que é assim que funciona e já não devia ter expectativas em relação aos outros.
E na maior parte dos casos é assim. Mas...

... mas de vez em quando aparece alguém, que parece diferente dos restantes, que se parece mais comigo.

E nessas alturas, eu volto a acreditar que essa pessoa pode corresponder às minhas expectativas e pode "cumprir" aquilo que eu espero dela... e, normalmente, volto a enganar-me... é simplesmente mais uma desilusão...

Não sei... provavelmente sou eu que tenho os meus padrões de exigência muito elevados...

Eu bem sei que não é muito fácil lidar comigo e muito menos compreender-me... mas também não tenho uma maneira de pensar assim tão esquisita quanto isso!

Alguém me disse um destes dias que eu sou uma pessoa estranha.
Já me tinham chamado muita coisa antes, mas estranha nunca foi uma delas...
Mas pensando bem no caso, até é uma definição adequada... e além disso, eu acho piada! ;)

E, sendo assim, acho que vou esperar que apareça alguma mente estranha parecida com a minha.
Só mesmo alguém estranho como eu é vai conseguir estar ao nível de "estranhez" que eu espero das pessoas...

domingo, outubro 22, 2006

Lei da Rotatividade


Eu tento não me afeiçoar demasiado às pessoas. Porque elas entram na nossa vida, fazem parte dela e depois desaparecem...

Conhecemos alguém, começamos a ter contacto com essa pessoa, a conhecer essa pessoa. Ela passa a fazer parte do nosso dia a dia.

Começa por ser apenas um conhecido, um colega... depois passa a ser um amigo, alguém que está lá para nós e que nos faz companhia...
E nós afeiçoamo-nos a essa pessoa. Gostamos dela, da companhia dela, habituamo-nos a ela....

E eis senão quando ela desaparece... E todas elas desaparecem!

Deve haver um qualquer sistema de rotatividade entre os conhecidos e amigos, porque estamos sempre a fazer novos amigos e a "deixar" amigos antigos.
E todos nós fazemos isso. É tipo uma lei da Natureza.

Mas por um lado esta rotatividade é óptima!
Pessoas novas, com mentes frescas, que não conhecem os pressupostos pelos quais nós nos regemos a nós próprios.
Pessoas que não conhecem os nossos problemas e não os vivem connosco e que, por isso, nos conseguem fazer esquecê-los, nos conseguem fazer relaxar, esvaziar a cabeça e encarar as coisas de outra maneira.

E estas pessoas fazem-nos tão bem que nós nos afeiçoamos a elas. E depois, quando chega a altura de irem embora... não é fácil!

Mas nós sabemos que, pela "Lei da Rotatividade", novas pessoas virão. Novos conhecidos, novos amigos, novas mentes frescas, que nos farão esquecer as anteriores...

Mas enquanto não chegam, restam-nos as saudades dos que estão de saída... resta-nos agradecer o tempo em que foram nossos amigos... resta-nos desejar que encontrem novos amigos, bons amigos...

Por isso, é que eu tento não me afeiçoar demasiado às pessoas. Porque elas entram na nossa vida, fazem parte dela e depois desaparecem...

domingo, outubro 15, 2006

Pensamento da Semana


Monotonizar a existência, para que ela não seja monótona.

Tornar anódino o quotidiano, para que a mais pequena coisa seja uma distracção.

No meio do meu trabalho de todos os dias, baço, igual e inútil, surgem-me visões de fuga, vestígios sonhados de ilhas longínquas, festas em áleas de parques de outras eras, outras paisagens, outros sentimentos, outro eu.

Mas reconheço, entre dois lançamentos, que se tivesse tudo isso, nada disso seria meu.

Mais vale, na verdade, o patrão Vasques que os Reis do Sonho; mais vale, na verdade, o escritório da Rua dos Douradores do que as grandes áleas dos parques impossíveis.

Tendo o patrão Vasques, posso gozar a visão interior das paisagens que não existem.

Mas se tivesse os Reis do Sonho, que me ficaria para sonhar?

Se tivesse as paisagens impossíveis, que me restaria de possível ? (...)

Posso imaginar-me tudo, porque não sou nada.

Se fosse alguma coisa, não poderia imaginar.

O ajudante de guarda-livros pode sonhar-se imperador romano; o Rei de Inglaterra não o pode fazer, porque o Rei de Inglaterra está privado de o ser, em sonhos, outro rei que não o rei que é.

A sua realidade não o deixa sentir.


Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'

domingo, outubro 08, 2006

Pensamento da Semana


Admiro os viciados.

Num mundo em que está toda a gente à espera de uma catástrofe total e aleatória ou de uma doença súbita qualquer, o viciado tem o conforto de saber aquilo que quase de certeza estará à sua espera ao virar da esquina.

Adquiriu algum controlo sobre o seu destino final e o vício faz com que a causa da sua morte não seja uma completa surpresa.

De certo modo, ser um viciado é uma coisa bastante proactivista.

Um bom vício retira à morte a suposição.

Existe mesmo uma coisa que é planear a tua fuga.


Chuck Palahniuk, in 'Asfixia'

domingo, outubro 01, 2006

Pensamento da Semana


Não é preciso proibir aquilo a que nenhuma alma humana aspira.

É precisamente o modo como está formulada a proibição: «Não matarás», que é de molde a dar-nos a certeza de descendermos de uma série infinitamente longa de gerações de assassinos, que possuíam no sangue, talvez como nós próprios, a paixão de matar.


Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'

domingo, setembro 24, 2006

Pensamento da Semana


O mundo é de quem não sente.

A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade.

A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade.

Ora há duas coisas que estorvam a acção - a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade.

Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.

Para agir é, pois, preciso que nos não figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias.

Quem simpatiza pára.

O homem de acção considera o mundo externo como composto exclusivamente de matéria inerte - ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque não lhe pôde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como à pedra, ou se afastou ou se passou por cima.


Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

domingo, setembro 17, 2006

Pensamento da Semana


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


Fernando Pessoa

domingo, setembro 10, 2006

Pensamento da Semana


Damos festas, abandonamos as nossas famílias para vivermos sós no Canadá, batalhamos para escrever livros que não mudam o mundo apesar das nossas dádivas e dos nossos imensos esforços, das nossas absurdas esperanças.

Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que for que fazemos e depois dormimos: é tão simples e tão normal como isso.

Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos; um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença ou, com muita sorte, pelo próprio tempo.

Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos, excepto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis.

Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais.


Michael Cunningham, in 'As Horas'

domingo, setembro 03, 2006

Pensamento da Semana


Acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expessão a cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helénico, possivelmente até a algo mais depurado e mais rico do que o ideal helénico.

Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio.

A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que nos corrompe a vida.

Somos castigados pelas nossas renúncias.

Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos.

O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação.

Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso.

A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe.

Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal.

Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro.

É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo.


Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray'

domingo, agosto 27, 2006

Pensamento da Semana


Se o ciúme nasce do intenso amor, quem não sente ciúmes pela amada não é amante, ou ama de coração ligeiro, de modo que se sabe de amantes os quais, temendo que o seu amor se atenue, o alimentam procurando a todo o custo razões de ciúme.

Portanto o ciumento (que porém quer ou queria a amada casta e fiel) não quer nem pode pensá-la senão como digna de ciúme, e portanto culpada de traição, atiçando assim no sofrimento presente o prazer do amor ausente.

Até porque pensar em nós que possuímos a amada longe - bem sabendo que não é verdade - não nos pode tornar tão vivo o pensamento dela, do seu calor, dos seus rubores, do seu perfume, como o pensar que desses mesmos dons esteja afinal a gozar um Outro: enquanto da nossa ausência estamos seguros, da presença daquele inimigo estamos, se não certos, pelo menos não necessariamente inseguros.

O contacto amoroso, que o ciumento imagina, é o único modo em que pode representar-se com verosimilhança um conúbio de outrem que, se não indubitável, é pelo menos possível, enquanto o seu próprio é impossível.

Assim o ciumento não é capaz, nem tem vontade, de imaginar o oposto do que teme, aliás só pode obter o prazer ampliando a sua própria dor, e sofrer pelo ampliado prazer de que se sabe excluído.

Os prazeres do amor são males que se fazem desejar, onde coincidem a doçura e o martírio, e o amor é involuntária insânia, paraíso infernal e inferno celeste - em resumo, concórdia de ambicionados contrários, riso doloroso e friável diamante.


Umberto Eco, in 'A Ilha do Dia Antes'

domingo, agosto 20, 2006

Pensamento da Semana


O homem faz-se ou desfaz-se a si mesmo.

O homem controla as suas paixões, as suas emoções, o seu futuro.

Consegue-o canalizando os seus impulsos físicos para conseguir realizações espirituais.

Qualquer animal pode esbanjar a sua força realizando os impulsos físicos sempre que os sente.

Compete ao homem canalizá-los para fins mais produtivos que a satisfação dos impulsos.

Ninguém se tornou ilustre por fazer o que lhe apetecia.

Os homens insignificantes fazem o que querem - e tornam-se nuns Zés-Ninguém.

Os grandes submetem-se às leis que regem o sector em que são grandes.

O autodomínio é sempre recompensado com uma força que dá uma alegria interior inexprimível e silenciosa que se torna no tom dominante da vida.

O autodomínio é a qualidade que distingue os mais aptos para sobreviverem.

O mais importante atributo do homem como ser moral é a faculdade de autodomínio escreveu Herbert Spencer.

Nunca houve, nem pode haver, uma vida boa sem autodomínio; sem ele a vida é inconcebível.

A vitória mais importante e mais nobre do homem é a conquista de si mesmo.

Alfred Montapert, in "A Suprema Filosofia do Homem"

domingo, agosto 13, 2006

Pensamento da Semana


Antigamente todos os contos para crianças terminavam com a mesma frase, e foram felizes para sempre, isto depois de o Príncipe casar com a Princesa e de terem muitos filhos.

Na vida, é claro, nenhum enredo remata assim.

As Princesas casam com os guarda-costas, casam com os trapezistas, a vida continua, e os dois são infelizes até que se separam.

Anos mais tarde, como todos nós, morrem.

Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.


José Eduardo Agualusa in 'O Vendedor de Passados'

sábado, agosto 05, 2006

Uma lição de Gestão Estratégica


Todos os dias, a formiga chegava cedinho à oficina e desatava a trabalhar.

Produzia e era feliz.

O gerente, o leão, estranhou que a formiga trabalhasse sem supervisão.

Se ela produzia tanto sem supervisão, não seria melhor supervisionada?

E contratou uma barata, que tinha muita experiência como supervisora e fazia belíssimos relatórios.

A primeira preocupação da barata foi a de estabelecer um horário para entrada e saída da formiga.

De seguida, a barata precisou de uma secretária para a ajudar a preparar os relatórios e contratou uma aranha que além do mais, organizava os arquivos e controlava as ligações telefónicas.

O leão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com índices de produção e análise de tendências, que eram mostrados em reuniões específicas para o efeito.

Foi então que a barata comprou um computador e uma impressora laser e admitiu a mosca para gerir o departamento de informática.

A formiga de produtiva e feliz, passou a lamentar-se com todo aquele universo de papéis e reuniões que lhe consumiam o tempo!

O leão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga operária, trabalhava.

O cargo foi dado a uma cigarra, cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete.

A nova gestora, a cigarra, precisou ainda de computador e de uma assistente para ajudá-la na preparação de um plano estratégico de optimização do trabalho e no controlo do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se mostrava mais enfadada.

Foi nessa altura que a cigarra, convenceu o gerente, o leão, da necessidade de fazer um estudo climático do ambiente.

Ao considerar as disponibilidades, o leão deu-se conta de que a Unidade em que a formiga trabalhava já não rendia como antes; e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico e sugerisse soluções.

A coruja permaneceu três meses nos escritórios e fez um extenso relatório, em vários volumes que concluía : "Há muita gente nesta empresa".

Adivinhem quem o leão começou por despedir?

A formiga, claro, porque "andava muito desmotivada e aborrecida".

domingo, julho 30, 2006

Click!


Conhecem aquela sensação de click!?

Aquela sensação que parece que temos um interruptor dentro da nossa cabeça e que de vez em quando faz click!?

E no momento em que a nossa cabeça faz click!, tudo parece fazer sentido, tudo parece funcionar bem, tudo parece ser real e verdadeiro...

Parece que temos alguém dentro da nossa cabeça que de vez em quando desliga o interruptor e de repente, quando menos estamos à espera, click!, e faz-se luz!


O click! pode acontecer em várias situações:


- temos o click! de memória:

Acontece, por exemplo, quando nos tentamos lembrar de qualquer coisa, daquelas que estão "mesmo debaixo da língua" e não querem sair de lá e, de repente... click!... e lembramo-nos do que queríamos e de uma data de coisas mais.

Parece que o click! abre a porta do armário onde a informação está guardada.


- temos o click! de raciocínio (não é bem esta a palavra que eu queria, mas agora não me lembro de nenhuma melhor):

Este acontece quando estamos a tentar resolver um problema qualquer e não conseguimos encontrar a solução.

Somos capazes de estar horas e horas a olhar para a mesma coisa, a tentar desbloquear a cabeça para conseguirmos encontrar a maneira de resolver o problema e quando menos esperamos... click!... aparentemente a nossa cabeça consegue retomar o funcionamente normal e dar com a solução do problema, que normalmente é qualquer muito simples, que deveria ter sido a primeira coisa de que nos devíamos ter lembrado, mas ainda assim foi preciso ligar o interruptor antes de lá chegarmos.

E, claro, depois passamos mais não sei quantas horas a pensar: "Estúpida!!!! Como é que eu não me lembrei disto antes?! Uma coisa tão simples?! Estúpida!!!!"...

(Não querendo com isto insultar ninguém, de certeza que quem trabalha em informática, como eu, já passou por dezenas destes clicks! e dezenas de insultos a si próprio quando se descobre a solução... enfim, ossos do ofício!)


- e o terceiro tipo de click!:

E de certeza que esta situação já aconteceu a toda a gente...

Este click! acontece quando nós conhecemos uma pessoa, que podemos ter acabado de conhecer ou podemos conhecer há pouco tempo, um conhecido, um colega, um amigo pouco chegado.

De um momento para o outro, por causa de uma conversa ou de uma atitude ou de um gesto, qualquer coisa faz click! dentro da nossa cabeça e parece que aquela pessoa esteve sempre ali...

Parece que aquela pessoa esteve connosco toda a nossa vida, parece que é a nossa melhor amiga, que nos conhece desde sempre e que sabe tudo sobre nós...

Não é estranho?! Não é uma coisa que não faz sentido nenhum?!

Isto aconteceu-me um destes dias...

Uma pessoa que eu conheço há alguns meses, que de um momento para o outro conseguiu accionar um click! dentro da minha cabeça, que mudou completamente a minha perspectiva sobre essa pessoa.

Enquanto dantes apenas a via como mais uma pessoa conhecida, no meio de tantas outras pessoas que eu conheço, agora, depois do click! não posso deixar de notar as coisas que temos em comum e a maneira como essa pessoa já me conhece, assim como também eu já a conheço um bocadinho a ela.

É claro que inconscientemente eu já sabia de todas estas coisas antes, mas só depois do click! é que realmente me apercebi delas...


Só tenho pena que o interruptor não esteja do lado de fora da cabeça, de maneira a podermos ser nós a ligá-lo e a desligá-lo quando quiséssemos.

Naquelas alturas em que tudo nos corre mal, em que nem sequer queremos pensar em nada, em que o que precisamos mesmo é de "esvaziar" a cabeça de todo o tipo de pensamentos e de ideias e de sentimentos... click!... e já estava!

Podíamos descansar enquanto precisássemos e só voltar a ligar o interruptor depois de termos retomado a energia suficiente para voltar a funcionar de uma forma normal.

Assim como naquelas alturas em que sabemos que qualquer coisa nos está a escapar mas não conseguimos perceber o que é, e por mais voltas que se dê à cabeça, não conseguimos sair do sítio... click!... só tínhamos que ligar o interruptor, para tudo voltar a funcionar, para tudo voltar a fazer sentido novamente.

E para nos apercebermos da importância das pessoas que estão à nossa volta...

... click! ...

Pensamento da Semana


Ninguém deve cometer a mesma tolice duas vezes.
A possibilidade de escolha é muito grande.

Jean-Paul Sartre

domingo, julho 23, 2006

Pensamento da Semana


O António, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.

Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).

Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).

Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.

Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.

Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

Anónimo