domingo, julho 15, 2012

"A desilusão é considerada um mal. Que preconceito irreflectido. Através do quê, senão através da desilusão, poderíamos descobrir o que esperamos e o que desejamos? E onde encontrar um momento de autoconhecimento, senão precisamente nessa descoberta? E se as coisas se processam assim, então como é que poderíamos adquirir clareza sobre nós próprios sem a desilusão?
Não devíamos suportar a desilusão com suspiros de desânimo, como algo sem o qual a nossa vida seria melhor. Devíamos procurá-la, persegui-la, coleccioná-la. [...]
Alguém apostado em conhecer-se verdadeiramente teria de ser um coleccionador obcecado e fanático de desilusões, e a procura de experiências decepcionantes deveria ser para ele como um vício, na verdade como o vício dominante da sua vida, pois então ele compreenderia, com grande clareza, que a desilusão não é afinal o veneno ardente e destruidor por que é tomada, mas um bálsamo fresco e tranquilizante que nos abre os olhos para os verdadeiros contornos do nosso eu mais íntimo."

in Comboio Nocturno para Lisboa, by Pascal Mercier

sábado, julho 14, 2012

Ever Fallen in Love

You spurn my natural emotions
You make me feel like dirt and I'm hurt
And if I cause a commotion
I only end up losing you and that's worse

Ever fallen in love with someone
Ever fallen in love in love with someone
Ever fallen in love in love with someone
You shouldn't've fallen in love with 

I can't see much of a future
Unless we find out now just what's to blame
And we won't be together much longer
Unless we realize that we both the same that's what i'm saying

Ever fallen in love with someone
Ever fallen in love in love with someone
Ever fallen in love in love with someone
You shouldn't've fallen in love with 

You disturb my natural emotions
You make me feel like dirt and I'm hurt
And if I cause a commotion
I only end up losing you and that's worse my pride

Ever fallen in love with someone
Ever fallen in love in love with someone
Ever fallen in love in love with someone
You shouldn't've fallen in love with

Did you ever, fall in love, did you ever, fall in love, 
Did you ever, did you ever, did you ever,

Did you ever, ever fall in love, did you ever, ever fall in love, 
Did you ever, did you ever, did you ever........

by The Buzzcocks
"Quando abandonamos um sítio deixamos lá algo de nós próprios, permanecemos lá, apesar de partirmos. E há coisas em nós que só podemos recuperar se lá regressarmos. Aproximamo-nos portanto de nós, viajamos para dentro de nós próprios quando o matraquear monótono das rodas nos transporta em direcção a um sítio por onde percorremos uma etapa da nossa vida, por mais breve que esta tenha sido. Assim que colocamos pela segunda vez o pé na gare da estação estranha, ouvimos as vozes dos altifalantes, cheiramos os cheiros inconfundíveis, não chegamos apenas a um qualquer destino distante, mas atingimos a distância da própria interioridade, talvez num remoto canto do nosso eu, que quando estamos num outro sítio permanece oculto e completamente entregue à invisibilidade."

in Comboio Nocturno para Lisboa, by Pascal Mercier

sexta-feira, julho 13, 2012

Never Let Me Go

Looking up from underneath
Fractured moonlight on the sea
Reflections still look the same to me
As before I went under

And it's peaceful in the deep
Cathedral where you cannot breathe
No need to pray no need to speak
Now I am under all

And it's breaking over me
A thousand miles down to the sea bed
Found the place to rest my head
Never let me go
Never let me go

And the arms of the ocean are carrying me
And all this devotion was rushing out of me
In the crushes of heaven for a sinner like me
But the arms of the ocean delivered me

Though the pressures hard to take
It's the only way I can escape
It seems a heavy choice to make
And now I am under all

And it's breaking over me
A thousand miles down to the sea bed
Found the place to rest my head
Never let me go
Never let me go

And the arms of the ocean are carrying me
And all this devotion was rushing out of me
In the crushes of heaven for a sinner like me
But the arms of the ocean delivered me

And it's over
And I'm going under
But I'm not giving up
I'm just giving in

I'm slipping underneath
So cold and so sweet

And the arms of the ocean are carrying me
So sweet and so cold
And all this devotion I never knew at all
In the crushes of heaven for a sinner released
But the arms of the ocean delivered me
Never let me go
Never let me go
Deliver me
Never let me go
Never let me go
Deliver me
Never let me go
Never let me go
Deliver me
Never let me go
Never let me go

And it's over
And I'm going under
But I'm not giving up
I'm just giving in

I'm slipping underneath
So cold and so sweet

by Florence + the Machine

quinta-feira, julho 12, 2012

"As pessoas não suportam o silêncio, [...] isso implicaria que se suportassem a si próprias."

in Comboio Nocturno para Lisboa, by Pascal Mercier

"Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que em nós existe, então o que acontece ao resto?"

in Comboio Nocturno para Lisboa, by Pascal Mercier

domingo, julho 08, 2012

"Porque todo aquele que se apaixona está à procura da metade que lhe falta. Daí que todo e qualquer apaixonado se sinta triste ao pensar na pessoa amada. É como regressar passado muito tempo a um quarto onde se viveu bons momentos."

in Kafka à Beira-Mar, by Haruki Murakami

"Antigamente as pessoas não se limitavam a ser homens e mulheres, mas um dos três tipos: macho/macho, macho/fêmea ou fêmea/fêmea. Por outras palavras, cada pessoa continha em si os componentes das duas partes. Toda a gente vivia satisfeita com este estado de coisas e nem sequer pensavam muito nisso. Foi então que os deuses pegaram numa faca e cortaram cada um em dois. E assim, depois disso, o mundo ficou dividido em machos e fêmeas, e as pessoas passaram o resto da vida à procura da sua própria metade."

in Kafka à Beira-Mar, by Haruki Murakami

domingo, junho 17, 2012

I Hear Voices

I hear voices, they tell me to stop
Why should I listen, they've never felt the drop
They hide in corners behind the pretty girls
In their gold in their gold in their gold
One minute to a, one minute to a, one minute to midnight

My soul you can have it cause it don't mean shit
I'd sell it to the devil for another hit
And midnight is coming and I wish that you were here

I hear voices, echo in my brain
They don't like it cause I'm not dressed the same
They hunt for rabbits just like Yosemite Sam
Say your prayers, say your prayers, say your prayers
One minute to a, one minute to a, one minute to midnight

My soul you can have it cause it don't mean shit
I'll sell it to the devil for another hit
And midnight is coming and I wish that you were here
My soul you can have it cause it don't mean shit
I'll sell it to the devil for another hit
And midnight is coming and I wish that you were here

There's no need to fall, there's no need at all

Out of control on my own trying to find my way back
How did end up here And into darkness I walk as the world goes on by
Out of control on my own trying to find my way back
How did end up here And into darkness I walk as the world goes on by

I hear voices they tell me to stop
I hear voices they tell me to stop
I hear voices they tell me to stop
I hear voices they tell me to stop 


by Kasabian

quinta-feira, abril 05, 2012

"[...] não achou o silêncio incómodo. Na realidade, achou-o bastante agradável. Uma centena de anos atrás, tinha sido uma das razões por que sabia que a amava verdadeiramente - a maneira como se sentia quando o silêncio se abatia sobre eles. Gostava da companhia dela quando conversavam e riam, mas não havia nenhuma diferença quando ela não dizia nada. Adorava sentar-se com ela em silêncio na varanda da casa dela ou passear pelos bosques ou deitarem-se à beira do lago. Ter o corpo dela ao lado do seu - ou a mão na sua - já lhe bastava."

by Daniel Silva, in O Espião Improvável

sábado, março 24, 2012

Como seria noticiada hoje em Portugal a história do Capuchinho Vermelho


TELEJORNAL RTP1
"Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... mas a actuação de um caçador evitou uma tragédia"


JORNAL DA NOITE – SIC
"Vamos agora dar-lhe conta de uma notícia de última hora. Uma menina foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da sua avó! Esta é uma história aterradora mas com um final feliz... o Sr. telespectador não vai acreditar mas, esta linda criança foi retirada viva da barriga do lobo! Simplesmente genial!"


JORNAL NACIONAL – TVI
"... onde vamos parar, onde estão as autoridades deste país?! A menina ia sozinha para a casa da avó a pé! Não existe transporte público naquela zona? Onde está a família desta menina? E a Comissão de Protecção de Menores? Tragicamente esta criança foi devorada viva por um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de extinção, resolvem aparecer?? Isto é uma lambada na cara da actual governação portuguesa."


CORREIO DA MANHÃ
"Governo envolvido no escândalo do Lobo"


JORNAL DE NOTICIAS
"Como chegar à casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho"


Revista MARIA
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama"


LUX
"Na cama com o lobo e a avó"


EXPRESSO
Legenda da foto: "Capuchinho, à direita, aperta a mão do seu salvador".
Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.


PÚBLICO
"Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS"


O PRIMEIRO DE JANEIRO
"Sangue e tragédia na casa da avozinha"


CARAS
Ensaio fotográfico com Capuchinho na semana seguinte:
Na banheira de hidromassagem, Capuchinho fala à CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor à vida. Hoje sou outra pessoa.

Pinguim


Uma loira acorda, chega ao quintal e depara-se com um pinguim no seu jardim.
Ao mesmo tempo, olha para o lado, vê o seu vizinho e diz:
- Já viu o que está aqui? Um pinguim! O que é que eu faço?
O vizinho responde:
- Não sei! Olhe, leve-o ao Jardim Zoológico.
No dia seguinte, o vizinho olha para a casa da loira e vê-a a sair com o pinguim preso com uma coleira e pergunta:
- Então, não levou o pinguim ao Jardim Zoológico?
A loira:
- Levei.... Gostou muito! Hoje vai ao Oceanário.

Terapia de grupo


Quatro pacientes estão reunidos no consultório.

O terapeuta pede que todos se apresentem, digam qual é sua actividade e que comentem porque a exercem.

O primeiro diz:
- Chamo-me Francisco, sou médico porque me agrada tratar da saúde e cuidar das pessoas.

O segundo apresenta-se:
- Chamo-me Ângelo. Sou arquitecto porque me preocupa a qualidade de vida das pessoas e como vivem.

A terceira diz:
- Chamo-me Maria e sou lésbica. Sou lésbica porque adoro mamas e rabos femininos e fico louca só de pensar em fazer sexo com mulheres.

Faz-se um silêncio... 
Então o Alentejano diz:
- Sou o Manel Joaquim e até há pouco achava que era pedreiro, mas acabo de descobrir que sou lésbica...

sábado, fevereiro 18, 2012

Meaning of Live

Would you tell me your name if I tell you mine?
Would you give me your life if I dare to try?
Would you find me again if I make you cry?
Would you marry me if I ask two times?

Would you give me your heart only for one night
Would we dance in the rain under the same light
Would we play different roles just to live two lives?
Would you smile again if I stop the time
Would you marry me if I ask you twice?
And if you still have doubts I can ask three times

Would our love be unique both of us unite
Would we sleep side by side, never say goodbye?

The Gift

sábado, fevereiro 11, 2012

Amantes

O marido está para fora, em trabalho, de modo que tem a tarde toda livre, sem os constrangimentos habituais. Vestiu-se com cuidados de amante, preocupada com todos os pormenores. Demorou uma eternidade a escolher a roupa, depois de ter ido ao cabeleireiro cortar o cabelo, arranjar as unhas. Leva uma saia azul-escura, uma camisa branca, sapatos que a fazem mais alta, mais segura de si. Sente-se atraente, feliz, com a expectativa de um dia diferente. Vai desligar o telemóvel, prometeu a si própria um dia diferente, como se fosse livre, como se ele fosse livre, como se não tivessem de ser secretos, vivessem um para o outro e não houvesse nada a separá-los.
Caminha pela rua, atenta às falhas na calçada, armadilhas para os saltos altos. Esconde os olhos atrás de uns grandes óculos de sol, para poder disfarçar no caso de se cruzar com alguém conhecido. Hoje não quer falar com ninguém, não quer lembrar-se de que não tem a vida que sonhou. Ainda gosta do marido, mas a paixão perdeu-se na rotina, o entusiasmo esfumou-se nos anos, nos projectos que ficaram pelo caminho. Em contrapartida, o homem que a espera consegue fazê-la sonhar. Ele é mais velho, advogado de sucesso, família exemplar. Ela gostava de ter filhos, gostava de ter um com ele. Ele já tem três. Gostava de o ter só para si, de recomeçar tudo a seu lado, de não o ter no segredo dos quartos de hotel.
Ele está sentado no balcão, no restaurante, a tomar uma bebida. Reservou uma mesa e dá uma vista de olhos na ementa enquanto espera que ela chegue. Tem uma inquietação latente, que vai crescendo de dia para dia, à medida que a vai conhecendo melhor e se sente mais preso a ela. No início era só uma mulher mais nova, bonita, nada de sério, mas agora ocupa-lhe o pensamento a cada momento. Precisa dela, precisa de fugir entre reuniões para os seus encontros furtivos.
Quando ela entra, ele levanta-se para a receber. Os olhos do restaurante viram-se para ela, mas não repara, concentrada nos dele, azuis, encantadores. Sorriem um ao outro. Estás à espera há muito tempo?, pergunta-lhe. Parece-me sempre muito tempo, responde ele.
Sentam-se à mesa, pedem vinho, ele espreita-a concentrada na ementa. É tão bonita, pensa, como se fosse uma oportunidade única de ser feliz novamente. Ama os filhos, mas o casamento tornou-se uma prisão. Ela surpreende-o a observá-la, sorri. Nesse instante vem-lhe à ideia uma certeza: um dia vou perdê-la e não poderei fazer nada para o evitar. Um dia, ela vai desinteressar-se do pouco que temos. Ela pressente-lhe uma preocupação e pergunta-lhe o que foi? Nada, diz ele, sorrindo para afastar a nuvem negra. Ela volta a baixar os olhos para a ementa, preocupada também, a pensar que um dia ele vai voltar para a mulher, para a família, vai esquecê-la. Estão apaixonados, felizes, mas a caminho de nada.


Tiago Rebelo


Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

Fernando Pessoa

domingo, fevereiro 05, 2012

Wish You Were Here


I can be tough
I can be strong
But with you, it's not like that at all


There's a girl
who gives a shit
behind this wall
You've just walked through it


And I remember, all those crazy things you said
You left them riding through my head
You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here.
All those crazy things we did
Didn't think about it, just went with it
You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here


Damn, Damn, Damn,
What I'd do to have you
here, here, here
I wish you were here.
Damn, Damn, Damn
What I'd do to have you
near, near, near
I wish you were here.


I love the way you are
It's who I am, don't have to try hard
We always say, say like it is
And the truth is that I really miss


All those crazy things you said
You left them riding through my head
You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here.
All those crazy things we did
Didn't think about it, just went with it
You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here


Damn, Damn, Damn,
What I'd do to have you
here, here, here
I wish you were here.
Damn, Damn, Damn
What I'd do to have you
near, near, near
I wish you were here.

by Avril Lavigne